Consumidores aproveitam Black Friday para fazer rancho e driblar inflação

1 month ago 25

Patrcia Comunello

A Black Friday do rancho. Assim deve ficar conhecida a maior campanha de descontos do ano, que ainda está no ar para muitos varejos, sejam os físicos e principalmente os digitais. Consumidores de Porto Alegre foram às compras de material de limpeza e higiene pessoal, bolachinhas, salgadinhos e chocolates, entre outros itens, que estavam bem abaixo do preço nos supermercados.

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A Black Friday do rancho. Assim deve ficar conhecida a maior campanha de descontos do ano, que ainda está no ar para muitos varejos, sejam os físicos e principalmente os digitais. Consumidores de Porto Alegre foram às compras de material de limpeza e higiene pessoal, bolachinhas, salgadinhos e chocolates, entre outros itens, que estavam bem abaixo do preço nos supermercados.

A coluna circulou por um dos shopping centers da Capital e conferiu que o tipo de produto que as pessoas traziam em sacolas. 

A mãe Rosane Alves e a filha Júlia repetiram um ritual que fazem a cada nova edição Black Friday, mas este ano com mais fome de compras. A razão: o preços dos produtos está subindo mais. De um xampu, Júlia comprou dez frascos. É para o consumo de um ano, diz ela. "Paguei R$ 15,90 por unidade que tá quase R$ 30,00 no mercado", compara a jovem.

Rosane conta que fez pesquisa em outros locais antes da Black Friday para ver onde tinha melhor preço. Nas aquisições, estão ainda creme dental e sabão em pó. A conta ficou em R$ 345,00, que sairia o dobro nas compras do dia a dia. "Este ano foi mais tranquilo, sem correria e loja lotada", observaram mãe e filha. 

O fluxo presencial pode não ser a melhor medida da campanha, mas pode ser um sintoma de que as vendas não foram tudo que se esperava. Fila, que era verificada na abertura mais cedo de lojas em outras edições não se repetiu este ano na Capital, como na Lojas Americanas, no Shopping Praia de Belas, que abriu as portas às 7h. Outras redes também começaram mais cedo a jornada dessa sexta-feira.

Fila mesmo apenas na ação do Shopping Iguatemi que fez uma ação mais agressiva, com retirada de cupom com 80% de desconto. A pessoa pagava 20% do valor pretendido e saía com o vale para garantir o abatimento. Centenas de pessoas foram bem antes, a maioria chegou na manhã do dia anterior e dormiu no local, para buscar um dos 500 cupons. Famílias foram em bloco, pois era uma unidade por CPF.

Isso tudo no presencial, mas o online também teve ritmo abaixo do esperado.

A NielsenIQ/Ebit divulgou neste sábado (27) que as vendas no e-commerce no País na Black Friday somaram R$ 4,2 bilhões, alta nominal (sem descontar a inflação) de 5% em relação a 2020. O número de pedidos caiu 9%, para 5,6 milhões, e o valor do tíquete médio foi 16% maior, ficando em R$ 753,00. 

"Comprei sabão em pó, sabão e desodorante. Estavam o metade do preço do súper", conta Marciele Franco, que fez mais: comprou tudo pelo aplicativo da rede de varejo e foi só tirar na filial. "Já tenho em casa, de eletrodoméstico", justifica ela que gastou R$ 85,00 e imagina que a fatura sairia o dobro se tivesse comprado no supermercado, devido à alta de preços.

A Black Friday deve recompor receitas e até o ânimo do varejo, principalmente das grandes companhias, que estão com seus ativos expostos na bolsa de valores. Além disso, a arrancada da digitalização e um consumidor em busca de descontos para aliviar a conta da inflação acelerada desde o primeiro semestre completam o cardápio do ambiente que envolve a temporada de promoções.

Os quatro itens foram destacados, em uma rápida análise, pelo sócio da PwC Brasil Giancarlo Chiapinotto, em conversa com a coluna. A Black Friday de 2021, cita Chiapinotto, também consagra uma maior confiança no canal online, que teve a reputação comprometida desde os primeiros anos desse tipo de ação importada do comércio norte-americano.

"O consumidor brasileiro se considera digital mais que a média global, o que justifica o crescimento de redes físicas para as plataformas digitais. A internet é muito forte nas campanhas, e a pandemia acelerou muito isso", associa o sócio da PwC.

Quesitos sensíveis como a segurança na compra e a entrega tiveram melhora. Aliás, o tempo de envio da mercadoria virou um dos campos de batalha entre concorrentes, e algumas horas a mais ou a menos fazem toda a diferença, dizem as empresas. Ter a infraestrutura logística na mão passou a ser regra.

E são justamente essas megaredes varejistas, de Magazine Luiza, Via a Americanas, que estão atrás de melhores resultados para recuperar pontos com o mercado acionário. Os balanços do terceiro trimestre, mesmo com aumento de vendas, vieram menos reluzentes quando se trata de margem e remuneração do capital. Isso é efeito já de perda de renda devido à alta de preços, por exemplo, que reduz a capacidade de gastar das famílias.

"A aposta desses setores (varejistas) é que vai ser a Black Friday da retomada", aponta o consultor, que vê oportunidades para o consumidor com menos dinheiro ter acesso a produtos mais baratos. O sócio da PwC cita ainda que o começo do pagamento do Auxílio Brasil, versão bolsonarista do Bolsa Família, vai ser outro fator para a recomposição das receitas.

"Uma alavancagem de vendas é importante para termos um quarto trimestre relevante para o varejo", vincula Chiapinotto. "Vai ser a Black Friday da recuperação do varejo."

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