“Mais firme e mais faminto”, Sant retorna à cena com primeiro álbum da carreira

1 week ago 10

Em entrevista ao JBr, rapper carioca fala sobre o álbum e a carreira. Com 15 faixas, “Rap dos Novos Bandidos” vai ao ar nesta quinta-feira (14)

Mais firme e mais faminto: é assim que o rapper carioca Sant se define neste momento. Após cerca de dois anos afastado, o artista está de volta — e com o pé na porta. O álbum “Rap dos Novos Bandidos”, que será lançado nas plataformas digitais nesta quinta-feira (14), às 11h, promete movimentar a cena do rap nacional.

É o primeiro álbum da carreira de Sant, o que cria ainda mais expectativa em torno do lançamento. Em entrevista ao Jornal de Brasília, o artista confirma que o disco vem para contemplar os fãs que o esperaram ansiosamente nos últimos dois anos. Porém, esse não é o único objetivo.  “Não só o disco vai servir pra isso, e o disco também não serve só pra isso. Pegou a visão?”, explica o rapper.

Feliz em perceber que nunca perdeu o respeito da rua, Sant explica que o “Rap dos Novos Bandidos” é um disco “mais adulto”, que reflete não só sua própria vida, mas também a de seus semelhantes. “Eu sou bairrista, mesmo. Então, é pra galera que tá ao meu redor.”

Em “Rap dos Novos Bandidos”, Sant inova ao apresentar uma estética influenciada pelo funk proibidão carioca dos anos 1990 e anos 2000. O rapper também explora gêneros como drill, grime e trap, que ganharam força nos últimos anos. O álbum tem 15 faixas e conta com as participações de SD9, VND, Tiago Mac, Costa Gold e MC Cidinho. Sobre a faixa com Cidinho, o artista revela: “Eu tinha guardado um funk que eu não sabia como entregar pras pessoas, e aí a gente chamou o Cidinho para sacramentar e fazer um batidão bem simples, bem cru, tipo nós dois cantando junto ali num baile.”

Tracklist do álbum. Foto: Divulgação

Confira a entrevista com Sant:

Você disse que o período afastado da cena foi necessário para se reconectar com sua área e sua família. O que te fez voltar nesse momento?

Foram os mesmos motivos que me fizeram parar: eu ter de me reconectar, pá… quando eu consegui mergulhar nesse processo, já me senti mais preparado, mais firme e mais faminto para voltar. Eu estava vivendo no piloto automático durante muito tempo na minha carreira, e isso refletia na minha vida pessoal. Quando eu me atentei a isso e busquei essa reconexão, fui percebendo que isso [o retorno] era possível.

Muitos fãs e até mesmo outros artistas ficaram desapontados com a sua pausa, em 2019. O “Rap dos Novos Bandidos” vem pra reconfortar essa galera e mostrar que você está de volta?

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Sim, mas não só pra isso, tá ligado? Não só o disco vai servir pra isso, e o disco também não serve só pra isso. Pegou a visão? Porque todo o trabalho que está ao redor do disco tem essa ideia [de mostrar que Sant está de volta], e é essa ideia que eu quero conseguir fazer com que reconforte as pessoas, tipo: “Caramba, o Sant veio diferente, numa visão maneira, trabalhando maneiro, ó como é que o álbum veio”.

O que o disco for contar é mérito do disco, culpa dele, do que a gente fez ele ser. Mas eu quero que as outras coisas também mostrem que estou de volta, porque não foi só o rap que me fez parar. Fui eu, mesmo. Foi eu não estar bem com as coisas que eu estava fazendo. O fato de eu voltar também tem a ver com isso.

Por tudo que você já construiu, a cena nunca deixou de te ouvir. Por isso, tem se gerado uma expectativa enorme em torno desse disco que marca o seu retorno. Como você enxerga isso? Que sensação isso te traz?

Fico muito feliz por isso, por não me sentir sozinho. Porque esse é o maior motivo de eu fazer música, de me identificar com o hip hop… esse respeito, né, mano? Nas ruas a gente chama de respeito, mesmo. Isso aí é um bagulho que é muito louco de se conquistar. E é maior doideira: a galera não tem esse meu convívio, mas me conhece, me defende, me entende, me acalanta. Eu fico feliz pra caramba.

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E quanto à responsa desse disco ser um marco, eu já queria que fosse, mesmo. Quando eu pensei em fazer esse álbum e chamá-lo assim [porque todos os trabalhos anteriores eram EPs e singles], eu quis trazer essa responsa. Então, é uma sensação de realização, de trazer esse marco com responsabilidade, porque eu já estava pensando nisso. E é uma felicidade ver que a galera está aqui ainda quando eu falo: “Mano, tô de volta” e eles respondem: “Vai dar tudo certo, Sant”. Mó satisfação.

Como você fala em “O Que Separa os Homens dos Meninos”, o “Rap dos Novos Bandidos” também é “sua vida e o beat em cima”? Mais do que a sua própria vida, é também a vida de quem mora em um bairro periférico de cidade grande?

É, mano. “O Que Separa os Homens dos Meninos” é muito pessoal. “Rap dos Novos Bandidos” realmente não é tão pessoal quanto. É pessoal também, porque obviamente é minha vida, mas é a vida de várias outras pessoas que são iguais a mim, que também têm medo, fome, sonho, êxitos, vícios, virtudes, que dorme, acorda, acredita, duvida, questiona… é mais isso, transitando nessa textura de som nova que o LP Beatzz me trouxe mais isso na produção. É também o meu discurso, a minha vida, porque eu sou bairrista, mesmo. Então, é pra galera que está ao meu redor, tem mais isso. “O Que Separa os Homens dos Meninos” era mais egoísta, porque ele tinha mais dores, mais questões mal resolvidas, e “Rap dos Novos Bandidos”  é mais adulto, um pouco menos jovem.

Sobre as participações do álbum, como elas foram pensadas? A do Costa Gold surpreendeu alguns dos seus fãs…

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Surpreendeu a mim também. Eu gosto muito dos manos, tenho um laço com o Nog [artista do Costa]. A gente até já tinha feito outra música, mas o momento foi louco, a conjuntura foi muito louca. Essa música [5 AM, faixa na qual o Costa Gold participa] era uma das poucas que eu via alguma possibilidade de ter esse potencial. Daí, numa conversa, numa videoconferência, o Nog tinha me ligado e eu não tinha atendido, eu retornei e eles estavam juntos. Elogiei o disco deles, eles perguntaram se eu também estava produzindo um álbum. Disse que sim, e eles perguntaram se dava para entrar. E eu: “Pô, mano, papo reto? Com certeza! Vai ser satisfação, vai agregar pra caralho”. Daí, eu mandei uma faixa, eles gostaram, mostrei o conceito das coisas, expliquei… eles abraçaram e foram sensíveis pra caramba, quebraram tudo também, contaram muito bem a história da música.

Agora, a respeito das participações no geral, elas foram pensadas de acordo com as músicas e as histórias que elas foram contando conforme a gente foi desenhando o disco. Por exemplo: eu tinha um funk das antigas que eu não sabia como entregar pras pessoas, e aí a gente chamou o Cidinho pra sacramentar e fazer um batidão bem simples, bem cru, tipo nós dois cantando junto ali num baile, e o LP Beatzz fazendo a batida ali na MPC… assim surgiu essa música.

A faixa com os amigos VND, SD9 e Tiago Mac eu fui um dos últimos a escrever. O SD veio com as ideias, o VND puxou disso, e aí eu tinha o primeiro verso. Quando o VND mostrou, eu fiz um segundo verso, convidei o Mac, ele desenhou um refrão, eu fui com ele nas ideias, junto com o que o LP também tinha de estudo, e a gente tirou desse refrão que o Mac fez outra parada… pegou a visão?

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Como e quando começou a parceria com o LP Beatzz, seu aliado nesse novo disco?

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Ele é um grande aliado há muito tempo, desde 2016. Em 2015, eu lancei meu disco e voltei para a Zona Norte [do Rio]. E aí, em 2016, eu vim para cá, conheci o LP, a gente morou junto e começou a produzir várias músicas. Mas a gente fez singles, EPs, artes… Só agora o álbum, mesmo.

Sant e LP Beatzz, parceiros em “Rap dos Novos Bandidos”. Foto: Plush Music/Divulgação

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