Negócios miram em nichos para fidelizar clientes

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Isadora Jacoby Mauro Belo Schneider

14 de outubro de 2021

Focar em um segmento especfico de mercado pode ser a receita para alavancar uma ideia

Isadora Jacoby Mauro Belo Schneider
14 out 2021

Focar em um segmento especfico de mercado pode ser a receita para alavancar uma ideia

Afunilar e apostar em um nicho na hora de criar um negcio uma das estratgias para conseguir atingir um pblico fiel de forma assertiva. Aprofundar-se em um assunto e atender de forma prxima uma demanda de mercado o caminho escolhido por muitos empreendedores, como Marco Lopez, 37 anos, que est frente da Produto Oficial, onde produz e comercializaitens licenciados de bandas do rock gacho.

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Afunilar e apostar em um nicho na hora de criar um negócio é uma das estratégias para conseguir atingir um público fiel de forma assertiva. Aprofundar-se em um assunto e atender de forma próxima uma demanda de mercado é o caminho escolhido por muitos empreendedores, como Marco Lopez, 37 anos, que está à frente da Produto Oficial, onde produz e comercializa itens licenciados de bandas do rock gaúcho. 

Marco conta que a ideia de apostar em um nicho surgiu muito antes do negócio. Quando era mais novo e tinha uma banda, um lema o movia. "Não adianta atingir o Brasil se eu não for o herói da minha rua", diz. A sentença foi aplicada na hora de criar a Produto Oficial em 2015. Atuando como diretor de palco de bandas gaúchas, ele percebeu que muitas não eram preparadas para atender à demanda do público por itens personalizados. "As pessoas iam nos shows e perguntavam se tinha produtos, e as bandas que eu trabalhava ficavam sem ter uma resposta. Era uma postura bem amadora para bandas profissionais", acredita. Assim, ele decidiu fazer a ponte entre fornecedores e artistas e assumir a produção do merchandising. "O primeiro artista que arrisquei foi o Duca Leindecker. Aproveitei uns shows que íamos fazer em um teatro para entender qual era o ticket médio, analisar como era a decisão de compra. Investi uma grana muito baixa nesse primeiro show e o retorno foi 200%. Então, vi que era um negócio de verdade e que, se aplicasse uma energia, daria certo", lembra o empreendedor. 

Hoje, são mais de 40 bandas no portfólio de clientes da Produto Oficial. Entre elas, nomes como Acústicos e Valvulados, Frank Jorge, Comunidade Nin-Jitsu e Rosa Tattooada. Além da venda de produtos em shows, a Produto Oficial conta com um e-commerce (produtooficial.com.br). São dois modelos de negócio pensados para atender perfis diferentes de bandas. "Para as bandas mais conhecidas, que têm mais repercussão, todo investimento é da Produto Oficial. A banda recebe uma porcentagem de direitos autorais, ou seja, só lucra. Em contrapartida, consigo usar o nome deles para chancelar o meu produto. É uma troca boa para os dois lados", acredita Marco, que criou um outro modelo voltado para bandas menores. "Quando abri o nicho das bandas undergrounds, que era um pedido desses artistas que queriam estar junto dos seus ídolos na loja, comecei investindo, mas vi que poderia ser um ponto de prejuízo. Criei, então, um pacote mínimo que a banda investe a preço de custo, a Produto Oficial não ganha nada. É cobrada uma comissão e uma taxa administrativa para o site. Assim consigo me proteger um pouco dos riscos e dos custos, e conseguimos oferecer um preço muito melhor do que se a banda buscasse sozinha", afirma. 

Com seis anos de trajetória, Marco acredita que os bons resultados do negócio se devem, justamente, por fazer parte de um nicho. Ele conta que 90% das compras do site, hoje, são de clientes recorrentes. "Uma das vantagens do nicho é a fidelização. São pessoas que já compraram, gostaram dos produtos, e buscam por outros artistas", pontua o empreendedor, com a ressalva de que o cliente fiel exige ainda mais cuidado com a qualidade. "Temos que sempre manter um nível alto, porque o cliente que já compra vai trocar a tua loja por outra se, em algum momento, ficar desapontado", pondera. 

Durante a pandemia, Marco conta que a venda dos produtos foi uma alternativa para manter a fonte de renda dos artistas e pessoas envolvidas no meio. "Montamos uma campanha para mostrar para o público que, durante a pandemia, talvez a única fonte de renda da banda seria com o produto oficial, que isso estaria ajudando diretamente os artistas e as equipes técnicas. As vendas só cresceram para as bandas que têm o olhar mais voltado para os negócios", conta. Agora, aos poucos, alguns eventos têm acontecido e o empreendedor tem pensado em alternativas para atender à demanda dentro do novo contexto. 

"Para as bandas que estão fazendo alguns shows que não comportam a loja, criamos promoções para distribuírem cupons de desconto, como, por exemplo, frete grátis para quem foi no show, para levar o público para o site", explica. Para o futuro, Marco não descarta atingir grupos do mercado nacional e almeja, inclusive, o exterior. No entanto, ele afirma que mantém os pés no chão e acredita que isso, além da paixão, é um dos segredos do negócio. "Não vale a pena crescer num ponto que não consiga controlar. Era meu sonho de adolescente conseguir trabalhar com a maioria das bandas que estão hoje na Produto Oficial. Cada banda me dá um frio na barriga, me emociona."

Maria Helena e Elvania querem contribuir para profissionalizar pessoas que n

Maria Helena e Elvania querem contribuir para profissionalizar pessoas que no tm acesso ao mundo da moda. Foto: LUIZA PRADO/JC

Fotos de Maria Helena Silveira de Medeiros e Elvania Santos da Silveira, s

Fotos de Maria Helena Silveira de Medeiros e Elvania Santos da Silveira, scias do atelier de costura Mhel, que oferece cursos em libras.. Foto: LUIZA PRADO/JC

Foi com o objetivo de resgatar o propsito da moda, indo na contramo das produes em srie e das roupas padronizadas, que as irms Maria Helena Silveira de Medeiros e Elvania Santos da Silveira criaram o Mhel Ateli de Costura. Hoje, alm dos servios de reparos e produo de peas, as duas lanaram um curso de costura online com traduo em Libras (Lngua Brasileira de Sinais), a fim de aproximar e capacitar mais pessoas que desejam entrar nesse universo.

Elvania, que graduada em Relaes Pblicas, conta que ela e a irm, que advogada, deixaram para trs as profisses anteriores para empreender na costura, abrindo o ateli, em 2019, na rua Vieira De Castro, n 285. Com a pandemia, o carro-chefe at ento do espao, que era a produo de roupas para festas, no teve mais tanta demanda. Foi o momento de se reinventar. "As professoras da escola onde fazamos aula de costura sempre foram nossas parceiras, e foi a que surgiu a ideia de ter cursos presenciais e online", conta Elvania. Mas a dupla queria algo mais para diferenciar o novo servio, e foi ento que decidiram que o contedo seria traduzido em Libras. "A moda ainda muito voltada vaidade, e, de alguma forma, isso no batia com a nossa ideia, estava faltando alguma coisa na nossa aula. Foi quando tive a ideia de inserir a traduo em Libras e tudo teve sentido. Contribuir para profissionalizar pessoas que no tm condies de entrar no meio da moda bateu nos coraes de todas ns. Para muitas pessoas, no adianta apenas ter legenda, pois o Portugus como uma lngua estrangeira", explica Maria Helena.

O primeiro curso online em Libras oferecido pelo Mhel, batizado como Workshop Agulha Negra, custa R$ 397,00 e focado na tcnica de moulage, que consiste na modelagem e costura a partir de um manequim. As aulas so ministradas pela professora Juliana Sander. "O curso bem iniciante para quem quer aprender a costura. o passo-a-passo do incio at o feitio geral de uma saia. A ideia, depois, fazer o corte e costura em modelagem plana", revela Elvania, que acrescenta na lista de prximos cursos moda praia, moda pet e acabamentos. As inscries podem ser feitas no link que est nas redes sociais do espao (@mhelatelie).

As scias contaram com a parceria de uma empresa de tradutores e de um cineasta para elaborar o produto. Todo esforo e investimento foram recompensados, segundo Maria Helena, no momento de lanamento do curso. "A primeira aluna que comprou o curso surda. Foi uma alegria. As pessoas esto gostando muito da ideia da incluso", diz a empreendedora. Alm do cursos, as lives do ateli so traduzidas. O prximo passo, segundo elas, incorporar a traduo nas atividades presenciais, que aos poucos esto sendo retomadas. "Quando a pandemia baixar mais e conseguirmos aumentar o nmero de alunos, a nossa ideia ter um tradutor aqui e ter incluso presencial. Quando o projeto comeou a surgir, pensamos muito em como gostaramos que fosse o mundo caso fossemos surdas. a to falada empatia, palavra da moda", reflete Maria Helena.

O ateli tem, ainda, uma linha voltada aos pets, que, segundo Elvania, tem muita sada.

"Nos desdobramos. Enquanto uma faz caminha de cachorro e tenta ganhar dinheiro em feira, a outra tenta manter o atelier para conseguirmos bancar a filmagem", conta a empreendedora, que diz no se arrepender, em nenhum momento, na guinada de carreira. "No me vejo mais fazendo outra coisa que no costura", afirma.

Um dos setores preferidos de Viviane Costa

Um dos setores preferidos de Viviane Costa o de aluguel de galpes. Ela uma das poucas a trabalhar com isso . Foto: Bruno Barcelos/Divulgao/JC

Viviane Costa, 33 anos, lanou um servio especfico para empresas que buscam imveis para alugar na Regio Metropolitana de Porto Alegre. Ela se especializou na rea de locao corporativa e almeja virar referncia no assunto com seus posts no Instagram @osucessoimobiliario.

Formada em Processos Gerenciais e em duas ps-graduaes, uma em Marketing Estratgico e outra em Inovao em Servios, sabe onde o melhor local para uma marca se instalar. O conhecimento sobre os endereos fruto de sua experincia de oito anos no ramo.

"No mercado de locao, h o setor residencial e o corporativo. No comeo, eu atendia o comercial, mas depois comecei a atender s empresas, como lojas, indstria, setor de transporte. Locao de galpo, por exemplo, o que eu mais me identifico", detalha a empreendedora.

Viviane revela que seu trabalho bastante especfico e sente falta de contedos sobre o tema. "No tem ningum que fale sobre isso, a no ser alguns advogados, mas no tem ningum comercialmente falando", expe.

Por isso, no Instagram, desenvolveu uma rotina de posts. So trs por semana: um dia sobre desenvolvimento de carreira, outro relacionado aos proprietrios e outro aos locatrios.

Faz parte de seu servio entrevistar os clientes interessados para entender o negcio, pois h detalhes importantes. "Quando se trata de locao de pavilho, cada cidade tem seu Plano Diretor. Alm de conversar com o cliente que me procura, j peo o CNPJ para ver suas atividades e em qual endereo poder se instalar", detalha. Viviane, atualmente, trabalha de forma autnoma e em parceria com imobilirias.

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