Previsibilidade de preços é essencial ao produtor de leite, diz Tang

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Entrevista

- Publicada em 26/11/2021 s 16h49min.

Para o dirigente, atividade leiteira carece de um olhar diferenciado

Para o dirigente, atividade leiteira carece de um olhar diferenciado


FREDY VIEIRA/ARQUIVO/JC

Vanessa Ferraz

O trabalho do produtor de leite está em constante mudança - que se apresenta como um enorme desafio para manter a atividade que hoje é fonte de renda para pequenos, médios e grandes produtores do Estado. Além das condições climáticas que seguidamente interferem na qualidade da produção de matéria seca que serve de alimento para as vacas, o setor produtivo, nos últimos tempos, tem se deparado com a alta dos custos de soja e milho para a produção de silagem. A remuneração também está impactada com a oscilação do preço do litro, o que influencia na capacidade de custeio dos investimentos e da mão de obra que vem diminuindo a cada ano

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O trabalho do produtor de leite está em constante mudança - que se apresenta como um enorme desafio para manter a atividade que hoje é fonte de renda para pequenos, médios e grandes produtores do Estado. Além das condições climáticas que seguidamente interferem na qualidade da produção de matéria seca que serve de alimento para as vacas, o setor produtivo, nos últimos tempos, tem se deparado com a alta dos custos de soja e milho para a produção de silagem. A remuneração também está impactada com a oscilação do preço do litro, o que influencia na capacidade de custeio dos investimentos e da mão de obra que vem diminuindo a cada ano

Somente neste ano, mais de 44 mil produtores de leite abandonaram a atividade. Apesar do número elevado, ainda representa uma queda de 52,28% se confrontado as mais de 84 mil evasões de 2015, segundo levantamento feito pela Emater/RS. Apesar do cenário, a produtividade aumentou, o que evidencia uma maior eficiência na atividade, segundo o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang. O dirigente, que comanda a Granja Tang (Farroupila), uma referência na produção leiteira, explica alguns pontos que interferem no setor produtivo e propõe soluções para melhorar a situação do produtor de leite gaúcho.

Jornal do Comércio- Quais são hoje os principais gargalos da atividade leiteira?

Marcos Tang- O produtor teve que investir muito nos últimos anos em tanques de expansão, em mais energia elétrica, em adequação às normas sanitárias. E ganhou eficiência com isso. Mas não estamos sendo remunerados na mesma medida. O preço varia todos os meses, nunca sabemos o quanto vamos ganhar e perder por litro. Outro problema é que há três anos estamos com problemas para alimentar as vacas, na minha produção mesmo, estamos tendo que comprar em torno de 300 mil kg de silagem para completar o que antes, sempre foi produzido nas minhas terras. A mão de obra qualificada também tem sido um problema: cara e difícil de achar.

JC- O que configura essas dificuldades?

Tang- Existe a variação de mercado, e isso é normal, a própria indústria costuma dizer que tem períodos que “tem muito leite no mercado” e ela mesma opera com lucro zero, em determinado momentos. Mas com isso, reitero que é necessário abrir novos mercados. Há poucos dias vimos a gaúcha CCGL fazendo a sua primeira exportação de leite em pó à China. O que falta para as indústrias se habilitarem para fazer o mesmo? O cenário da produção do leite não é mais o mesmo, a produção do alimento das vacas está prejudicada pelas condições de clima e estiagem. O meu pai iniciou sua produção em 1961, e nunca precisou comprar silagem antes. O nosso produto é perecível, não podemos deixar de vender em razão do preço, precisamos entregar sempre. No mês passado perdemos 20 centavos no valor, isso significa uma quantia em torno de R$ 6 mil. Não é pouca coisa para um produtor. Com maiores gastos e sem saber quanto vamos ganhar está complicado.

JC- Quais seriam as soluções para melhorar a situação

Tang- O ideal seria que tivéssemos uma previsibilidade de preço pelo menos por seis meses, assim, poderíamos investir mais e nos programar para pagar os salários dos funcionários. Em relação ao mercado, como já disse antes, é muito importante que a indústria invista em novos mercados e inove na diversificação de produtos. Assim como nós tivemos que investir na nossa produção. Essas mudanças precisam acontecer para que o produtor possa ganhar com a atividade. É importante entender que não vão surgir novos produtores, vimos muito abandonar o ramo. Aquele que ficou é porque é um apaixonado por todo o processo desde a inseminação da vaca, o nascimento do bezerro, o cuidado até os 24 meses quando ela começa a entrar na produção.

JC- A falta de mão de obra decorre da saída dos jovens do campo?

Tang- Sim, mas ainda a produção de leite é a responsável por segurar a maioria dos jovens no campo. Sempre digo nas minhas palestras que é importante o produtor remunerar bem os seus filhos para que eles permaneçam. Veja, não é um trabalho fácil, começa cedo e acaba tarde, final de semana e feriado, então precisa ser organizado. Agora, o que é importante ter mais do que as poucas que existem são as escolas técnicas que capacitam esse jovem. Existem algumas que enviam alguns estagiários para aprender conosco, mas ainda é muito pouco, precisa ter mais. No entanto, isso precisa vir da iniciativa do governo.

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